Descubra como a ansiedade funciona como mensageira do corpo e aprenda estratégias práticas para gerir sintomas. Guia completo de psicóloga especializada.
A ansiedade tornou-se uma das palavras mais pronunciadas nos últimos anos. Falamos dela em conversas de café, lemos sobre ela nas redes sociais e, não raras vezes, sentimo-la no peito, nas mãos trémulas, na dificuldade em respirar fundo. Mas afinal, o que é realmente a ansiedade? E porque é que ela insiste tanto em aparecer, mesmo quando tentamos ignorá-la?
Deixe-me começar por dizer-lhe algo importante: a ansiedade não é sua inimiga. Sei que pode parecer estranho ouvir isto de uma psicóloga, especialmente se tem lutado contra ela diariamente. Mas a verdade é que a ansiedade, na sua essência, é uma mensageira. Uma mensageira nem sempre bem-vinda, é certo, mas que traz consigo informação valiosa sobre aquilo que se passa dentro de nós.

A ansiedade é uma resposta natural do organismo a situações que percebemos como ameaçadoras ou desafiantes. É aquela sensação de inquietação, de nervosismo, de antecipação de algo que ainda não aconteceu — mas que a nossa mente já imaginou mil vezes.
Do ponto de vista evolutivo, a ansiedade sempre nos serviu bem. Era ela que nos mantinha alerta perante perigos reais: um animal selvagem, uma situação de risco, uma ameaça à sobrevivência. O problema é que, nos dias de hoje, o nosso cérebro continua a reagir da mesma forma a "perigos" que já não são físicos — uma apresentação de trabalho, um conflito relacional, uma decisão importante.
O corpo não distingue entre um leão à nossa frente e um email por responder. Para ele, ambos podem ser interpretados como ameaças, activando o mesmo sistema de alarme: o sistema nervoso simpático, responsável pela resposta de "luta ou fuga".
Se reconhece alguns destes sinais, saiba que não está sozinho(a). Segundo a Organização Mundial de Saúde, as perturbações de ansiedade afectam cerca de 284 milhões de pessoas em todo o mundo.
Uma das perguntas que mais ouço no consultório é: "Como é que eu sei se a minha ansiedade é normal ou se preciso de ajuda?"
A resposta está em três critérios fundamentais:
A ansiedade saudável é pontual, proporcional à situação e resolve-se quando o factor de stress desaparece. A perturbação de ansiedade é persistente, desproporcional e compromete a qualidade de vida.
Se respondeu "sim" às questões acima, pode ser importante considerar procurar apoio psicológico. E não, procurar ajuda não é sinal de fraqueza — é um acto de generosidade para consigo mesmo(a), como costumo dizer aos meus pacientes.

A ansiedade não surge do nada. Ela é sempre uma resposta a algo — mesmo que esse "algo" não seja imediatamente óbvio. Muitas vezes, a ansiedade aparece quando:
A ansiedade, neste sentido, funciona como um alarme de incêndio emocional. Ela diz-nos: "Algo precisa de atenção aqui. Pare e olhe para dentro."
Gerir a ansiedade não significa eliminá-la por completo — seria impossível e até contraproducente. O objectivo é aprender a relacionar-se com ela de forma mais saudável, reduzindo o seu impacto e recuperando o sentido de controlo.
Quando a ansiedade surge, o padrão respiratório altera-se: respiramos mais rápido e de forma mais superficial. Isto envia ao cérebro a mensagem de que estamos em perigo, perpetuando o ciclo ansioso.
Técnica 4-7-8 (Dr. Andrew Weil):
Esta técnica activa o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo relaxamento. Estudos científicos comprovam a eficácia da respiração controlada na redução da ansiedade.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ensina-nos que não são os eventos em si que causam ansiedade, mas a interpretação que fazemos deles. Pergunte-se:

O exercício é um dos ansiolíticos naturais mais poderosos. Durante a actividade física, o corpo liberta endorfinas e reduz os níveis de cortisol (hormona do stress). Não precisa de correr uma maratona — uma caminhada de 20 minutos ao ar livre pode fazer uma diferença significativa.
Notícias 24/7, redes sociais, ambientes caóticos — tudo isto alimenta a ansiedade. Estabeleça limites digitais e crie momentos de silêncio e desconexão.
A ansiedade vive no futuro. O mindfulness traz-nos de volta ao presente. Técnicas como meditação, yoga ou simplesmente prestar atenção plena a actividades quotidianas (comer, caminhar, lavar a loiça) ajudam a ancorar a mente no aqui e agora.
A American Psychological Association reconhece o mindfulness como intervenção eficaz para perturbações de ansiedade.
A psicoterapia é um espaço seguro onde pode explorar as raízes da sua ansiedade, compreender padrões de pensamento e comportamento, e desenvolver ferramentas personalizadas para gerir os sintomas.
Abordagens terapêuticas eficazes para ansiedade incluem:
Se a ansiedade está a roubar-lhe qualidade de vida, não hesite em procurar ajuda. Não precisa de carregar este peso sozinho(a).

A ansiedade incomoda, é verdade. Mas ela também pode ser uma porta de entrada para um autoconhecimento mais profundo. Quando paramos de lutar contra ela e começamos a escutá-la com curiosidade e compaixão, descobrimos que, muitas vezes, ela está apenas a tentar proteger-nos — ainda que de forma desajeitada.
O caminho não é eliminar a ansiedade, mas sim desenvolver uma relação mais consciente e compassiva com ela. E, acima de tudo, lembrar que sentir ansiedade não o(a) torna fraco(a) ou incapaz — torna-o(a) humano(a).
"A ansiedade é o preço que pagamos por uma mente que antecipa, imagina e sonha. A questão não é eliminá-la, mas aprender a dançar com ela."
Sim. O corpo pode "guardar" ansiedade de forma somática, manifestando sintomas físicos mesmo quando a mente consciente não identifica preocupações. Isto acontece porque o sistema nervoso responde a stress acumulado.
Sim. O corpo pode "guardar" ansiedade de forma somática, manifestando sintomas físicos mesmo quando a mente consciente não identifica preocupações. Isto acontece porque o sistema nervoso responde a stress acumulado.
Varia de pessoa para pessoa. Alguns pacientes sentem melhorias nas primeiras semanas; outros precisam de alguns meses. A psicoterapia é um processo, não uma solução rápida — mas os resultados são duradouros.
Não necessariamente. A psicoterapia sozinha é eficaz para muitas pessoas. Em casos mais graves, a combinação de terapia e medicação (prescrita por psiquiatra) pode ser recomendada. Cada caso é único.
O ataque de pânico é uma manifestação aguda e intensa de ansiedade, com pico em 10 minutos e sintomas físicos severos (palpitações, falta de ar, medo de morrer). A ansiedade generalizada é mais difusa e persistente.
Sobre a Autora
Sandra Amorim é psicóloga clínica (Cédula Profissional OPP nº 27850), especializada em Psicologia Clínica e da Saúde pelo INSPIC, com mais de 20 anos de experiência em Gestão de Pessoas. Actualmente em formação avançada em Psicoterapia pela Sociedade Portuguesa de Psicoterapias Construtivistas. Trabalha com adultos em consultas online, focando-se em perturbações de ansiedade, desenvolvimento pessoal e transições de vida.
As consultas de Psicoterapia poderão ser marcadas via telefone (mensagem privada), via email, via website ou através de mensagem privada em Whatsapp ou Instagram.
Consultas: Plataforma Google Meet
Telemóvel: +351 936153707
▶ Email:
psicologa.sandra.amorim@gmail.com
▶ Instagram:
https://www.instagram.com/sandra.amorim.psicologia
▶ Linkedin:
https://www.linkedin.com/in/sandra-amorim-777497223
Entre em contato
© 2025-2026 / Sandra Amorim - Psicóloga | Membro Efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses Cédula Profissional nº 27850.