Ansiedade: O Sinal que o Seu Corpo Envia Quando a Mente Precisa de Escuta

Descubra como a ansiedade funciona como mensageira do corpo e aprenda estratégias práticas para gerir sintomas. Guia completo de psicóloga especializada.

Indíce de Conteúdos

A ansiedade tornou-se uma das palavras mais pronunciadas nos últimos anos. Falamos dela em conversas de café, lemos sobre ela nas redes sociais e, não raras vezes, sentimo-la no peito, nas mãos trémulas, na dificuldade em respirar fundo. Mas afinal, o que é realmente a ansiedade? E porque é que ela insiste tanto em aparecer, mesmo quando tentamos ignorá-la?


Deixe-me começar por dizer-lhe algo importante: a ansiedade não é sua inimiga. Sei que pode parecer estranho ouvir isto de uma psicóloga, especialmente se tem lutado contra ela diariamente. Mas a verdade é que a ansiedade, na sua essência, é uma mensageira. Uma mensageira nem sempre bem-vinda, é certo, mas que traz consigo informação valiosa sobre aquilo que se passa dentro de nós.

O Que é a Ansiedade, Afinal?

O que é afinal a ansiedade - artigo da Sandra Amorim

A ansiedade é uma resposta natural do organismo a situações que percebemos como ameaçadoras ou desafiantes. É aquela sensação de inquietação, de nervosismo, de antecipação de algo que ainda não aconteceu — mas que a nossa mente já imaginou mil vezes.

Do ponto de vista evolutivo, a ansiedade sempre nos serviu bem. Era ela que nos mantinha alerta perante perigos reais: um animal selvagem, uma situação de risco, uma ameaça à sobrevivência. O problema é que, nos dias de hoje, o nosso cérebro continua a reagir da mesma forma a "perigos" que já não são físicos — uma apresentação de trabalho, um conflito relacional, uma decisão importante.

O corpo não distingue entre um leão à nossa frente e um email por responder. Para ele, ambos podem ser interpretados como ameaças, activando o mesmo sistema de alarme: o sistema nervoso simpático, responsável pela resposta de "luta ou fuga".

Sintomas Comuns da Ansiedade

  • Físicos: palpitações, aperto no peito, dificuldade em respirar, tensão muscular, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, fadiga
  • Cognitivos: preocupação excessiva, pensamentos catastróficos, dificuldade de concentração, medo de perder o controlo
  • Emocionais: irritabilidade, sensação de perigo iminente, nervosismo constante, inquietação
  • Comportamentais: evitamento de situações, procrastinação, dificuldade em tomar decisões, isolamento social


Se reconhece alguns destes sinais, saiba que não está sozinho(a). Segundo a Organização Mundial de Saúde, as perturbações de ansiedade afectam cerca de 284 milhões de pessoas em todo o mundo.

Ansiedade "Normal" vs. Perturbação de Ansiedade

Uma das perguntas que mais ouço no consultório é: "Como é que eu sei se a minha ansiedade é normal ou se preciso de ajuda?"


A resposta está em três critérios fundamentais:

  1. Intensidade: A ansiedade é tão intensa que interfere significativamente com a sua vida?
  2. Duração: Os sintomas persistem por semanas ou meses, sem alívio significativo?
  3. Impacto funcional: A ansiedade impede-o(a) de trabalhar, de se relacionar, de fazer actividades que antes apreciava?


A ansiedade saudável é pontual, proporcional à situação e resolve-se quando o factor de stress desaparece. A perturbação de ansiedade é persistente, desproporcional e compromete a qualidade de vida.


Se respondeu "sim" às questões acima, pode ser importante considerar procurar apoio psicológico. E não, procurar ajuda não é sinal de fraqueza — é um acto de generosidade para consigo mesmo(a), como costumo dizer aos meus pacientes.

Por Que Razão a Ansiedade Insiste em Aparecer?

Como gerir a Ansiedade no dia a dia - Técnicas de psicologia

A ansiedade não surge do nada. Ela é sempre uma resposta a algo — mesmo que esse "algo" não seja imediatamente óbvio. Muitas vezes, a ansiedade aparece quando:


  • Ignoramos as nossas necessidades emocionais (descanso, limites, expressão de sentimentos)
  • Vivemos num estado de sobrecarga crónica (excesso de responsabilidades, ritmo acelerado)
  • Há conflitos internos não resolvidos (valores pessoais vs. expectativas externas)
  • Experienciamos transições de vida significativas (mudança de emprego, fim de relacionamento, luto)
  • Reprimimos emoções difíceis (raiva, tristeza, medo) que precisam de ser sentidas e integradas


A ansiedade, neste sentido, funciona como um alarme de incêndio emocional. Ela diz-nos: "Algo precisa de atenção aqui. Pare e olhe para dentro."

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Como Gerir a Ansiedade no Dia a Dia: Estratégias Práticas

Gerir a ansiedade não significa eliminá-la por completo — seria impossível e até contraproducente. O objectivo é aprender a relacionar-se com ela de forma mais saudável, reduzindo o seu impacto e recuperando o sentido de controlo.

1. Pratique a Respiração Consciente

Quando a ansiedade surge, o padrão respiratório altera-se: respiramos mais rápido e de forma mais superficial. Isto envia ao cérebro a mensagem de que estamos em perigo, perpetuando o ciclo ansioso.


Técnica 4-7-8 (Dr. Andrew Weil):

  • Inspire pelo nariz durante 4 segundos
  • Segure a respiração durante 7 segundos
  • Expire pela boca durante 8 segundos
  • Repita 4 vezes


Esta técnica activa o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo relaxamento. Estudos científicos comprovam a eficácia da respiração controlada na redução da ansiedade.

2. Identifique e Desafie Pensamentos Ansiosos

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ensina-nos que não são os eventos em si que causam ansiedade, mas a interpretação que fazemos deles. Pergunte-se:

  • Este pensamento é um facto ou uma interpretação?
  • Qual a probabilidade real disto acontecer?
  • Estou a catastrofizar?
  • O que diria a um amigo que pensasse assim?
Ansiedade , o sinal que o corpo envia

3. Movimento e Exercício Físico

O exercício é um dos ansiolíticos naturais mais poderosos. Durante a actividade física, o corpo liberta endorfinas e reduz os níveis de cortisol (hormona do stress). Não precisa de correr uma maratona — uma caminhada de 20 minutos ao ar livre pode fazer uma diferença significativa.

4. Limite a Exposição a Estímulos Ansiogénicos

Notícias 24/7, redes sociais, ambientes caóticos — tudo isto alimenta a ansiedade. Estabeleça limites digitais e crie momentos de silêncio e desconexão.

5. Cultive Práticas de Atenção Plena (Mindfulness)

A ansiedade vive no futuro. O mindfulness traz-nos de volta ao presente. Técnicas como meditação, yoga ou simplesmente prestar atenção plena a actividades quotidianas (comer, caminhar, lavar a loiça) ajudam a ancorar a mente no aqui e agora.

A American Psychological Association reconhece o mindfulness como intervenção eficaz para perturbações de ansiedade.

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Quando Procurar Ajuda Profissional?

A psicoterapia é um espaço seguro onde pode explorar as raízes da sua ansiedade, compreender padrões de pensamento e comportamento, e desenvolver ferramentas personalizadas para gerir os sintomas.


Abordagens terapêuticas eficazes para ansiedade incluem:

  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Trabalha pensamentos e comportamentos ansiosos
  • Terapia Focada nas Emoções (TFE): Ajuda a processar emoções subjacentes à ansiedade
  • Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT): Combina mindfulness e técnicas cognitivas
  • Terapia Construtivista: Explora significados pessoais e narrativas de vida


Se a ansiedade está a roubar-lhe qualidade de vida, não hesite em procurar ajuda. Não precisa de carregar este peso sozinho(a).

Conclusão: Aprender a Ouvir a Mensagem

Aprender a ouvir a mensagem quando em ansiedade

A ansiedade incomoda, é verdade. Mas ela também pode ser uma porta de entrada para um autoconhecimento mais profundo. Quando paramos de lutar contra ela e começamos a escutá-la com curiosidade e compaixão, descobrimos que, muitas vezes, ela está apenas a tentar proteger-nos — ainda que de forma desajeitada.


O caminho não é eliminar a ansiedade, mas sim desenvolver uma relação mais consciente e compassiva com ela. E, acima de tudo, lembrar que sentir ansiedade não o(a) torna fraco(a) ou incapaz — torna-o(a) humano(a).


"A ansiedade é o preço que pagamos por uma mente que antecipa, imagina e sonha. A questão não é eliminá-la, mas aprender a dançar com ela."


Perguntas Frequentes (FAQ)

1. A ansiedade pode causar sintomas físicos mesmo sem eu estar a pensar em nada ansioso?

Sim. O corpo pode "guardar" ansiedade de forma somática, manifestando sintomas físicos mesmo quando a mente consciente não identifica preocupações. Isto acontece porque o sistema nervoso responde a stress acumulado.

2. É possível curar a ansiedade completamente?

Sim. O corpo pode "guardar" ansiedade de forma somática, manifestando sintomas físicos mesmo quando a mente consciente não identifica preocupações. Isto acontece porque o sistema nervoso responde a stress acumulado.

3. Quanto tempo demora a terapia para ansiedade a fazer efeito?

Varia de pessoa para pessoa. Alguns pacientes sentem melhorias nas primeiras semanas; outros precisam de alguns meses. A psicoterapia é um processo, não uma solução rápida — mas os resultados são duradouros.

4. Preciso de medicação para ansiedade?

Não necessariamente. A psicoterapia sozinha é eficaz para muitas pessoas. Em casos mais graves, a combinação de terapia e medicação (prescrita por psiquiatra) pode ser recomendada. Cada caso é único.

5. Como distinguir ansiedade de um ataque de pânico?

O ataque de pânico é uma manifestação aguda e intensa de ansiedade, com pico em 10 minutos e sintomas físicos severos (palpitações, falta de ar, medo de morrer). A ansiedade generalizada é mais difusa e persistente.


Sobre a Autora

Sandra Amorim é psicóloga clínica (Cédula Profissional OPP nº 27850), especializada em Psicologia Clínica e da Saúde pelo INSPIC, com mais de 20 anos de experiência em Gestão de Pessoas. Actualmente em formação avançada em Psicoterapia pela Sociedade Portuguesa de Psicoterapias Construtivistas. Trabalha com adultos em consultas online, focando-se em perturbações de ansiedade, desenvolvimento pessoal e transições de vida.


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© 2025-2026 / Sandra Amorim - Psicóloga | Membro Efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses Cédula Profissional nº 27850.